
ZERO HORA 16 de novembro de 2012 | N° 17255
ALERTA VERMELHO. Defensoria quer interdição de mais uma penitenciária
Pedido para reduzir número de presos na PEJ deve ser encaminhado à Justiça na próxima semana
JOSÉ LUÍS COSTA
Após
pedir a volta para casa de 500 apenados por causa da superlotação em
albergues, defensores públicos querem agora a interdição da segunda
maior prisão do Estado, a Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), em
Charqueadas, por problemas estruturais e excesso de presos. A PEJ abriga
2,1 mil apenados onde cabem apenas 1,3 mil.
Se for
interditada, poderá causar um blecaute nas cadeias em razão de
interdições parciais já em vigor no Presídio Central de Porto Alegre e
nas penitenciárias Estadual de Charqueadas e Modulada de Montenegro.
Adegradação física dos prédios da PEJ é semelhante à do Presídio Central
– a maior unidade carcerária do Estado e símbolo da decadência
prisional, interditado cinco vezes nos últimos 17 anos. O pedido de
interdição é baseado em um laudo de inspeção predial do Instituto
Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Rio Grande do Sul
(Ibape/RS). Concluído em junho, o estudo técnico classifica a PEJ com
grau de risco crítico – situação de máxima gravidade, que provoca danos à
saúde e à segurança das pessoas e do ambiente.
– Tendo
em vista a superlotação, o impacto de desempenho das instalações
hidrossanitárias, elétricas e de combate contra incêndio, é tecnicamente
irrecuperável para a finalidade de sua utilização – atestou o
engenheiro civil Marcelo Suarez Saldanha, presidente do Ibape/RS.
Na
semana passada, os defensores que atuam na 12ª Defensoria Pública de
Novo Hamburgo (que acompanha o cumprimento de penas na Vara de Execuções
Criminais da cidade, responsável pela PEJ) visitaram a cadeia e
deixaram o local horrorizados.
– A situação é muito crítica. A interdição deve ser imediata – afirmou a defensora pública Caroline Della Giustina Maisonnette.
Ela
e colegas preparam o pedido de interdição, que pode requerer a redução
gradual de apenados para números considerados aceitáveis ou mesmo o
esvaziamento completo da cadeia, com transferência de todos os detentos
para outras penitenciárias. A segunda opção parece a menos adequada
diante da crise de vagas.
Restrições limitam a distribuição de presos
A
solicitação de interdição será encaminhada na próxima semana à Justiça.
A decisão caberá ao juiz Sidinei Brzuska, fiscal dos presídios na
Região Metropolitana. O magistrado é cético:
– Esse é o
maior problema que enfrentamos, bem mais grave do que o déficit de
vagas no semiaberto. Se interditar a PEJ, cai o sistema.
Conforme
o juiz, as restrições já determinadas vêm limitando, em muito, a
distribuição de presos, e uma eventual interdição da PEJ fecharia as
portas para o ingresso de autores de crimes em dezenas de cidades.
A
assessoria de imprensa da Superintendência dos Serviços Penitenciários
(Susepe) informou que, como ainda não há decisão judicial, não iria se
manifestar sobre o assunto.
Prisão nova, mas precária
Para
o juiz Sidinei Brzuska, responsável por fiscalizar os presídios da
Região Metropolitana, a recém aberta Penitenciária de Arroio dos Ratos –
com 672 vagas e onde já estão 366 presos – não pode receber qualquer
tipo de preso porque tem estrutura frágil. Ela foi construída com base
em um projeto arquitetônico em desuso pelo Departamento Penitenciário
Nacional – tem celas sem janelas e grades e com paredes vazadas ao lado
das portas.
– Presos mais agressivos poderiam derrubar a cadeia – lamenta Brzuska.
COMENTÁRIO DO BENGOCHEA -
| A situação no Central |
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Em uma vistoria no Presídio Central, realizada em 5 de abril,
representantes do Ministério Público e do Poder Judiciário constataram
as condições degradantes da maior cadeia do Rio Grande do Sul. |
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Superlotado, então com 4.621 presos onde cabem 2,6 mil, o prédio
apresentava falhas estruturais, agravadas pela falta de manutenção e por
obras paradas, apesar de incontáveis promessas de melhorias. |
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A rede de esgoto cloacal tornou-se um símbolo do colapso. Parte da rede
do tempo da construção da cadeia, há mais de 50 anos, ela não suportava
o volume de dejetos e espalhava resíduos pelas paredes. As substâncias
corroeram pilastras de concreto, rachando e afundando pisos dos pátios
internos. |
| - Após verificar a grave situação do maior presídio do Estado, a Justiça determinou a interdição da cadeia. |